sexta-feira, 3 de agosto de 2007

CINEMA E PSICANÁLISE

I
O cinema e a psicanálise nasceram praticamente ao mesmo tempo. O final do século XIX, apresentava à humanidade duas formas distintas, porém de alguma maneira bastante semelhantes, de articular o universo científico ao irracional, mágico, o universo da fantasia. Se por um lado o Cinema se utilizava de novas tecnologias ópticas para ampliar o olhar, para operar no universo do fantástico, para construir uma ilusão encantadora, por outro a Psicanálise passava a criar um olhar para ver o que há dentro, observar além do corpo. Procurava então desvendar a alma humana, olhar para o que há de irracional dentro do homem, dar-lhe nome, enfim, construir um olhar científico ao que não opera logicamente. Ambas então nascem desse curioso paradigma, muito presente nesse período histórico, da união da ciência e da irracionalidade
O cinema e a psicanálise têm muito em comum. Ambos tratam dos sonhos. Ambos expressam em imagens e sons as mais variadas, e geralmente desconhecidas, emoções humanas. Assim como o cinema, o sonho cria as cenas, une-as em seqüências (por vezes incompreensíveis) para poder dizer algo sobre o mundo interno. Para comunicar algo sobre as pessoas. Mensagens de ternura, experiências de caos e dor, encontros, desencontros, prazer, loucura...
A psicanálise em seu exercício clínico também se baseia na comunicação. Falada, mas não só. Na comunicação de gestos, de silêncios e de afetos não revelados. A psicanálise, como o sonho (ou o sonho como a psicanálise?), usa a linguagem como forma de expressão e comunicação.
Ouvindo um pouco mais atentamente o diálogo entre o cinema e a psicanálise descobrimos uma forma de ampliar nossas experiências sensoriais, afetivas e intelectuais e com isso desenvolver um pouco mais nosso pensamento crítico. Acompanhando imagens em movimento narrando histórias, ora belas, ora terríveis, outras vezes ainda, sem nenhum sentido aparente, aprofundamos o nosso aprendizado sobre a universalidade das emoções humanas. Compreendemos que o destino humano não é outro senão a eterna busca do sentido da vida, ainda que tenhamos a certeza de que essa busca é interminável e para sempre incompleta.

4 comentários:

elisa guedes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
elisa guedes disse...

Agora ficou mais claro, psicanálise/ cinema. Tudo são formas de expressão, a subjetividade do ser, que nem sempre aparece apenas na forma falada, direta, ou até falada, mas indiretamente.
O ser humano, ser naturalmente reflexivo, é, sempre, está, sempre num limiar, o da lógica, ou o da tentativa da lógica. De qualquer forma, há sempre uma tentativa de expressão, de externalizar o que está preso, ou de clarear o que não está tão preso, é sempre uma forma de alívio.
O tumulto interno é angustiante e a busca incessante e inútil de explicação é frustante.
Ainda bem que o homem consegue de uma forma ou de outra, mostrar o que pensa, o que sente, o que o angustia.
É como diz a Mafalda, a personagem de história em quadrinhos: "Justo a mim me coube ser eu".

Luiz Leitão da Cunha disse...

Certamente filmes e documentários que mexem conosco, obras de verdade e não Rambos e outras loucuras hollywoodianas. Estamira, Pequena Miss Sunshine, agora esse Comédia do poder, são filmes de arte, a arte de tentar compreender a alma humana. Quando saímos do cinema com uma certeza ou uma grande interrogação, o cinema cumpriu seu papel. "Babel" me fez ver muita coisa, inclusive de mim mesmo. São sonhos em technicolor, cujo sentido, as vezes, só aparece mais adiante.

Um abraço.

Luiz Leitão da Cunha disse...

E aí, mano, desanimado pra escrever? Faz 1 mês que não atualiza, faz falta!