Nós, brasileiros, nascemos, crescemos e passamos a nossa vida reclamando da corrupção que campeia na política, no judiciário, na sociedade civil, e principalmente nas relações promíscuas entre poder público, dinheiro público e empreiteiras da construção civil. Temos um conhecimento "atávico" de que existe corrupção na maioria dos contratos de obras públicas. Encurtando o papo, nenhum brasileiro ignora essas coisas. Finalmente, começam a ser presos e indiciados políticos, empreiteiros, juízes, com evidências mais do que evidentes. E o que acontece??? Começa a choradeira que inclui até o presidente da república, passando pelo judiciário, pelos políticos e a turma toda reclamando que a Polícia Federal comete "excessos". Ora veja! Logo a polícia!? Engraçado, nunca ouvi presidente da república reclamar de excessos cometidos pela polícia comum (qualquer uma) quando pobres são torturados em delegacias, quando a polícia invade barracos de morros e/ou é suspeita de corrupção. Logo agora que o povo brasileiro tem a oportunidade de fazer a sua catarse coletiva ouvindo nos jornais da TV as conversinhas prá lá de malandras nas gravações telefônicas que a polícia faz entre essa raça de corruptos: políticos, empreiteiros, atravessadores... logo agora, vem os caras que mandam no país reclamar dos excessos da polícia na divulgação dos fatos.
Mimha geração cresceu odiando polícias em geral. Fomos reprimidos pela ditadura militar e a polícia federal era apenas sinônimo de repressão. Os tempos mudaram. Nem sei se as polícias mudaram tanto assim, mas o fato é que hoje ela cumpre bem melhor o seu papel. Aí, quando essa atuação parece ser o retrato do que a sociedade espera da polícia, aparecem os espertinhos de sempre reclamando dos "excessos". Não será um excesso de cara de pau, não?
Um comentário:
Gerson,
Muitíssimo bem escrito! Beleza de texto, sucinto e objetivo. É isso aí, reclamam quando prendem figurões, com base em fartos indícios, gravações, fotos, etc. Prendem com mandado, ora, vão se queixar ao judiciário!
Se usam algemas em quem rouba 100 contos, por que não em larápios multimilionários? Em vez do blablablá, se têm alguma prova de abuso, que representem na Justiça, né?
É isso aí, mano, dou a maior força pra esses teu textos extra-psicanálise!
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