Tem nos servido de leitura de apoio os livros de Luiz Alfredo Garcia Rosa. Em nosso último encontro falei do livro O MAL RADICAL EM FREUD, no qual, em seus capítulos iniciais o autor procura fazer uma arqueologia do pensamento freudiano partindo do pensamento grego clássico e vinculando o surgimento da palavra como definidora do que é o homem. A palavra, ou a linguagem, melhor dizendo, é o que proporciona a emergência do símbolo, o que caracteriza o pensamento humano como essencialmente simbólico. Tendo se descolado da natureza (isto é, deixando de ser um animal "natural" como os outros animais), o homem foi lançado numa errância, ou seja, seus desejos não são mais satisfeitos com os objetos naturais, seus desejos passam a pertencer ao mundo simbólico e consequentemente passam a ser irrealizáveis, em sua maioria. Daí por diante, apenas uma satisfação parcial passou a ser possível. Tendo perdido sua suposta organização natural, o corpo, enquanto corpo material, perdeu sua forma. Rreduzido a uma matéria sem forma, teve que constituir, na sua articulação com o mundo, uma nova forma, uma nova anatomia e uma nova fisiologia.
Dizer que o corpo foi reduzido a uma matéiria sem forma, é afirmar que a partir da linguagem, a suposta ordem natural que ele tinha em si mesmo, foi perdida e reduzida, daí por diante, a uma ordem mítica. Tomar a linguagem como ponto de partida, significa recusar a ordem prévia que o naturalismo impõe ao mundo.
Um comentário:
Essa coisa da satisfação parcial é que nos traz tanta angustia, nossa busca é incessante e a vida se mostra cada vez mais aliciante demais. Cada vez mais a linguagem cria meios de nos expressar, de nos convencer, de nos organizar a nivel da comunicação, falo de uma comunicação externa,interpessoal, aquela que envolve os outros e uma possibilidade de tentativa de integração e troca, mesmo que meio desordenada.
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