TEORIAS DA ALMA
(Lya Luft)
Quanto mais recursos temos no campo da psicologia e dos novos conhecimentos sobre as relações humanas, mais inseguros estamos.
Quanto mais civilizados, menos naturais somos. Na época em que mais se fala em natureza estamos mais distantes dela. Ser natural passou a não ser natural.
Assim é com criar filhos. Perplexos diante de mil teorias que nos batem à porta em toda a mídia, e a proliferação de consultórios de todo tipo de terapias (pelas razões mais singulares), estamos nos convencendo de que ter e criar filho não é lá muito natural.
Passamos do extremo antigo de achar que criança não pensa ao outro extremo: criança é complicação. Mil receitas de como tratar do bebê ao adolescente atormentam gerações de pais aflitos. A aflição não é boa conselheira. Afobado, aliás, a gente ama bem mal...
Esquecemos o melhor mestre: o bom senso. A escuta do que temos em nosso interior, aquela coisa antiquada chamada intuição, lembram? Claro que para isso precisamos ter bom senso e ter algo dentro de nós para ser escutado.
Ou cada vez que o bebê chorar desafinado, a criança ficar menos ativa (em geral ela está simplesmente pensando, querendo que finalmente a deixem um pouco quieta), vamos correndo procurar um especialista. Para que ele nos ensine a segurar o bebê, dar a mamadeira, olhar no olho, aconchegar no peito a criança nossa de cada dia.
É que somos, além de aflitos, desorientados. Falta-nos o hábito de observar e de refletir. Preferimos evitar e espelho que faz olhar para dentro de nós. Cada vez mais amadurecemos tarde ou mal. Somos crianças tendo crianças.
Não gostamos de refletir e decidir. “Se a gente parar para pensar, tudo desmorona”, me disse alguém.
Temos receio de encontrar a ponta do fio dissimulada na confusão do novelo, e, puxando por ela, ver tudo se desmontar.
Mas pode ser positivo: poderíamos recolher os cacos e recomeçar. Quem sabe criar uma estrutura interior mais natural e boa do que essa em que nos fundamos, e baseados nela dar aos filhos um legado – e um recado – tranqüilo e positivo, que não está em livros e nem em consultórios.
Ser natural está em crise grave.
(Perdas & Ganhos - Lya Luft, Editora Record)
(Lya Luft)
Quanto mais recursos temos no campo da psicologia e dos novos conhecimentos sobre as relações humanas, mais inseguros estamos.
Quanto mais civilizados, menos naturais somos. Na época em que mais se fala em natureza estamos mais distantes dela. Ser natural passou a não ser natural.
Assim é com criar filhos. Perplexos diante de mil teorias que nos batem à porta em toda a mídia, e a proliferação de consultórios de todo tipo de terapias (pelas razões mais singulares), estamos nos convencendo de que ter e criar filho não é lá muito natural.
Passamos do extremo antigo de achar que criança não pensa ao outro extremo: criança é complicação. Mil receitas de como tratar do bebê ao adolescente atormentam gerações de pais aflitos. A aflição não é boa conselheira. Afobado, aliás, a gente ama bem mal...
Esquecemos o melhor mestre: o bom senso. A escuta do que temos em nosso interior, aquela coisa antiquada chamada intuição, lembram? Claro que para isso precisamos ter bom senso e ter algo dentro de nós para ser escutado.
Ou cada vez que o bebê chorar desafinado, a criança ficar menos ativa (em geral ela está simplesmente pensando, querendo que finalmente a deixem um pouco quieta), vamos correndo procurar um especialista. Para que ele nos ensine a segurar o bebê, dar a mamadeira, olhar no olho, aconchegar no peito a criança nossa de cada dia.
É que somos, além de aflitos, desorientados. Falta-nos o hábito de observar e de refletir. Preferimos evitar e espelho que faz olhar para dentro de nós. Cada vez mais amadurecemos tarde ou mal. Somos crianças tendo crianças.
Não gostamos de refletir e decidir. “Se a gente parar para pensar, tudo desmorona”, me disse alguém.
Temos receio de encontrar a ponta do fio dissimulada na confusão do novelo, e, puxando por ela, ver tudo se desmontar.
Mas pode ser positivo: poderíamos recolher os cacos e recomeçar. Quem sabe criar uma estrutura interior mais natural e boa do que essa em que nos fundamos, e baseados nela dar aos filhos um legado – e um recado – tranqüilo e positivo, que não está em livros e nem em consultórios.
Ser natural está em crise grave.
(Perdas & Ganhos - Lya Luft, Editora Record)
3 comentários:
Ontem, eu li sobre uma novidade: "Tweens", de tween e between, os que são e não são adolescentes, uma forçação de barra tremenda. Tem ver aí com essa falta de naturalidade que a autora fala. Como ser natural com essa ditadura consumista? Eu não consigo fazer os meninos ler um livro, cara. É só computador, gameboy e TV. Como eles irão pensar naturalmente, refletir? Não saberão escrever decentemente em portugués, que dirá noutra língua.
Vou te mandar por e-1/2 o texto das tweens.
Concordo com o texto,naturalmente as pessoas deveriam estar mais naturais e assim algumas coisas básicas estariam mais claras, mais nítidas, mais límpidas.
É com certo impacto que às vezes presencio alguns pais em dúvidas com relação a situaçõs de autoridade dos filhos, ora! Quem educa e quem é educado? Há, por acaso, alguma dúvida?
Lembro-me quando era menina, que meu pai fiscalizava tudo que líamos, fotonovelas, lembra? Nem pensar. Deixávamos de ler? Não. Defendo o questionar sempre, o pensar, o refletir, discutir, analisar criticamentee. Percebo o quanto interessante é a mente de nossas crianças-jovens, são divertidos, criativos, curiosos, quer saber? Me divirto muuuuuito, e aprendo muuuuito também. E acho, obviamente, que essa troca é recíproca. Beijos.
Concordo com o texto,naturalmente as pessoas deveriam estar mais livres e assim algumas coisas básicas estariam mais claras, mais nítidas, mais límpidas.
É com certo impacto que às vezes presencio alguns pais em dúvidas com relação a situaçõs de autoridade dos filhos, ora! Quem educa e quem é educado? Há, por acaso, alguma dúvida?
Lembro-me quando era menina, que meu pai fiscalizava tudo que líamos, fotonovelas, lembra? Nem pensar. Deixávamos de ler? Não. Defendo o questionar sempre, o pensar, o refletir, discutir, analisar criticamentee. Percebo o quanto interessante é a mente de nossas crianças-jovens, são divertidos, criativos, curiosos, quer saber? Me divirto muuuuuito, e aprendo muuuuito também. E acho, obviamente, que essa troca é recíproca. Beijos.
Postar um comentário