sábado, 26 de maio de 2007

EXCESSOS DA POLÍCIA FEDERAL?

Nós, brasileiros, nascemos, crescemos e passamos a nossa vida reclamando da corrupção que campeia na política, no judiciário, na sociedade civil, e principalmente nas relações promíscuas entre poder público, dinheiro público e empreiteiras da construção civil. Temos um conhecimento "atávico" de que existe corrupção na maioria dos contratos de obras públicas. Encurtando o papo, nenhum brasileiro ignora essas coisas. Finalmente, começam a ser presos e indiciados políticos, empreiteiros, juízes, com evidências mais do que evidentes. E o que acontece??? Começa a choradeira que inclui até o presidente da república, passando pelo judiciário, pelos políticos e a turma toda reclamando que a Polícia Federal comete "excessos". Ora veja! Logo a polícia!? Engraçado, nunca ouvi presidente da república reclamar de excessos cometidos pela polícia comum (qualquer uma) quando pobres são torturados em delegacias, quando a polícia invade barracos de morros e/ou é suspeita de corrupção. Logo agora que o povo brasileiro tem a oportunidade de fazer a sua catarse coletiva ouvindo nos jornais da TV as conversinhas prá lá de malandras nas gravações telefônicas que a polícia faz entre essa raça de corruptos: políticos, empreiteiros, atravessadores... logo agora, vem os caras que mandam no país reclamar dos excessos da polícia na divulgação dos fatos.
Mimha geração cresceu odiando polícias em geral. Fomos reprimidos pela ditadura militar e a polícia federal era apenas sinônimo de repressão. Os tempos mudaram. Nem sei se as polícias mudaram tanto assim, mas o fato é que hoje ela cumpre bem melhor o seu papel. Aí, quando essa atuação parece ser o retrato do que a sociedade espera da polícia, aparecem os espertinhos de sempre reclamando dos "excessos". Não será um excesso de cara de pau, não?

domingo, 20 de maio de 2007

Citação de um poema

"Se você não está confuso então não tá entendendo nada"
(Jim Dodge - Verso do poema "Preceitos Básicos e Avisos Adicionais a Jovens Escroques).

domingo, 13 de maio de 2007

FRASE DO DIA

De Galvão Bueno, da rede globo, comentando um pequeno acidente hoje no comecinho da corrida de fórmula 1: "Em fórmula 1 é assim amigo, se três carros freiam e o que vem atrás acelera, o de trás bate no da frente!"

Que gênio, que gênio!

Como diz José Simão, não confunda: quem foi canonizado foi o Frei Galvão. Galvão Bueno pensa que é Deus.

HAI-KAI

Cansado espero
insensata centelha
pensamento

E o Papa, hein?! E a rede globo, hein?!

E o papa, hein?! Tem milhões de seguidores. Tem os que sempre foram seguidores e tem a rede globo forçando uma tremenda barra, entupindo seus jornais com as notícias sobre a visita do papa. Para conquistar novos fiéis? Quem sabe?
Arrisco um palpite. Acredito que seja polêmico. Penso assim: a rede globo conhecendo bem uma parcela expressiva de brasileiros que ainda se dizem católicos quando precisam preencher alguns formulários ou mesmo quando são perguntados informalmente se seguem alguma religião, e sabendo que esse tipo de "católico" não segue fielmente os preceitos do Vaticano, pois bem, eu dizia, acho que é pra esses daí que a rede globo está fazendo esse jogo de cena. E por que? Acho que é porque o número de seguidores de denominações evangélicas, principalmente as neo-pentescostais, tem crescido a ponto de ameaçar o predomínio católico no Brasil. E muitas dessas igrejas evangélicas tem um controle rígido sobre a conduta moral de seus fiéis. Tenho constatado a partir de conversas com diversos tipos de avengélicos que muitos deles seguem fielmente essas regras de uma forma que muitos católicos nunca seguiram. A questão do sexo antes do casamento, por exemplo. Vamos ser honestos (me dirijo aos "católicos" que não são, digamos, seguidores muitos rigorosos das normas da religião): dá pra acreditar que muita gente segue isso direitinho? É claro que não. Outro dia mesmo eu estava conversando com uma amiga católica que é contra o aborto. Ela dizia que entendia minhas razões mas continuava com seu ponto de vista. E eu perguntei a ela, que é solteira, o que achava do sexo fora casamento (coisa que ela, obviamente pratica). Ela me disse que aí não dava pra aceitar a exigência do papa. Pois é, disse eu, que moral dupla. Você é contra o aborto dos outros porque não é um problema que te afete nesse momento. Mas não abre mão de fazer sexo mesmo que de uma forma que a SUA igreja não aprova. Muito conveniente, não?
Voltando ao começo. Onde é que entra a rede globo nessa história? Entra da seguinte forma: a globo prefere fazer o jogo de que apóia os mandamentos do papa porque como rede de televisão vai continuar mostrando o que bem entende (e dê audiência, é claro!) como cenas de sexo quase explícito às 18 horas e nos filmes que passa, cenas violentíssimas com violência urbana, guerras etc, sem as restrições que muitos evangélicos têm a esses temas. Além disso, os canais de TV evangélicos são concorrentes de TV globo. Isso talvez explique a saturarçao de matérias sobre o papa que ela impôs nos dias da visita deste ao Brasil. A ponto de encher a paciência de qualquer um.

sábado, 5 de maio de 2007

DROGAS PROIBIDAS

Segundo informação divulgada na imprensa, no Rio de Janeiro, do início do ano até abril de 2007 morreram 123 pessoas vítimas de balas perdidas em tiroteios entre a polícia e traficantes de drogas ou entre traficantes de quadrilhas rivais. Dá uma média de 30 pessoas mortas por mês; uma por dia. Ainda segundo o noticiário, essas 123 pessoas seriam inocentes, isto é, transeuntes baleados sem terem nada a ver com os envolvidos diretamente no confronto. São crianças indo para a escola, trabalhadores, donas de casa. Sem contar os feridos. Sem contar os envolvidos nos tiroteios, policiais e criminosos. O número é alarmante sob qualquer ponto de vista, sendo mais grave o fato de que não estamos vivendo nenhuma guerra civil oficial e que o Rio de Janeiro é acima de tudo uma cidade turística, de fama mundial. Diante disso, pergunto: se o tráfico de drogas é responsável por essa tragédia e se tudo se deve ao fato das drogas serem proibidas, não é urgente acelerarmos a discussão sobre a ilegalidade das drogas? A quem interessa a proibição de algumas drogas e de outras não? Os que são contrários ao livre acesso das pessoas a drogas como a maconha e a cocaína estão nos protegendo exatamente de que? O que eles têm a dizer sobre o álcool e o tabaco serem vendidos livremente e serem causadores de acidentes mortais e doenças igualmente mortais ou incapacitantes?
Sabemos que essas questões, por mais evidentes que sejam, para serem discutidas em fóruns públicos como a Câmara dos Deputados e no Senado levam muitos anos e esbarram em interesses totalmente obscuros. Enquanto isso, morrem inocentes.
Haverá alguma estatística médica disponível sobre o número de mortos na mesma cidade do Rio de Janeiro por conseqüência do uso de drogas proibidas? Quantas pessoas morrem por mês porque usaram cocaína ou maconha? Se existe essa estatística, poucos a conhecem. Apenas uma estatística real que mostrasse que essas drogas causam muitas mortes e prejuízos justificaria o furor com que os conservadores defendem a proibição sumária, sem discussões. E mesmo assim, como justificar a morte de inocentes nessa guerra?
Curiosamente, as mesmas drogas consumidas no Rio de Janeiro são consumidas em quase todo o mundo. Não ouvimos falar de pessoas (traficantes ou inocentes) morrendo feito moscas nas ruas de Nova York, de Buenos Aires, de Londres, de Lisboa ou de qualquer cidade civilizada. Nesses países essas drogas também são proibidas e lá a polícia também reprime o tráfico e consumo. Por que só no Rio de Janeiro isso é tão trágico?
Temos bons sociólogos, historiadores, nossos políticos estão sempre viajando para outros países, especialistas em segurança pública estão sempre aparecendo na mídia para comentar suas opiniões sobre o assunto e nada muda. Pessoas inocentes continuam morrendo nas ruas do Rio.
Durante muitos anos criou-se uma cultura do medo das drogas sem uma compreensão sobre o assunto. Dizia-se que drogas eram perigosas, divulgava-se publicamente essa noção sem maiores esclarecimentos, e pronto. Talvez na cultura brasileira ainda persista um ranço do medo ilógico, do medo sem explicação. Um exemplo afastado desse tema pode ilustrar esse fato: ainda hoje, mais de 20 anos depois de ter terminado uma ditadura militar de extrema direita que amordaçou o povo por 20 anos, ainda encontramos pessoas que “xingam” outras pessoas de “comunista”, de “subversivo” etc. Será por acaso? Será um direitismo orgânico? atávico? Provavelmente não. Talvez seja o hábito de sentir medo sem questionar suas razões, sem procurar conhecer melhor sobre o assunto, sem perguntar a opinião do vizinho, do colega de trabalho.
Quanto a esse medo das drogas, observo, como médico, que se passa algo semelhante. Às vezes ainda ouço no consultório, pais que têm filhos envolvidos com drogas, ou pais que simplesmente têm medo que isso aconteça com seus filhos, repetirem como um mantra: “não conheço essas coisas, nunca conheci, nem quero conhecer, não sei a cor nem o cheiro que isso tem, Deus me livre!”. Isso retrata um medo irracional mas ao mesmo tempo mostra que, pelo fato dessas pessoas estarem ideologicamente contaminadas pela idéias de que tudo que se relaciona com as drogas é perigoso e marginal, acreditam que não conhecendo, não estarão se envolvendo. E por isso mesmo, nem discutem o assunto. É proibido e pronto. Curiosamente, muitas dessas pessoas não se opõem, por exemplo, a ter uma arma em casa (supostamente, um artefato que deveria estar ligado somente àqueles que por qualquer razão profissional precisam disso). Outras dessas pessoas, também curiosamente, não tem nenhuma opinião negativa quanto a voltarem de uma festa guiando seu carro depois de terem tomado uns drinques. Algumas também são fumantes de tabaco, mas... “sabe como é, doutor, é tão difícil largar esse vício...”.
Enquanto isso, a uma hora dessas, uma criança de seis anos pode estar caída morta numa rua do Rio de Janeiro com uma bala perdida que encontrou sua cabecinha em seu trajeto. Enquanto isso a sociedade continua acreditando que viveríamos num mundo mais perfeito sem os perigosos traficantes e suas drogas destruidoras de lares.
Um pouco mais de coerência nessa discussão poderia poupar algumas vidas inocentes.