Até o universo é finito. Um dia tudo isso irá se acabar. Bum!
Segundo o poeta T.S. Elliot, o mundo vai se acabar, não numa explosão, mas num suspiro.
Em minhas incursões pelos livros de física aprendi que até algum tempo atrás a dúvida sobre o destino do universo balançava entre três hipóteses.
A primeira, considerava que se a constante gravitacional fosse maior do que 1, toda a massa existente iria se expandir até um determinado ponto e a partir daí começaria uma regressão até voltar ao ponto inicial que deu origem ao big bang, ficando infinitamente brincando de sanfona cósmica: big bang - big crunch.
A segunda hipótese pressupõe uma constante gravitacional tendendo para o zero, o que significaria que um dia a expansão iria se estabilizar e o universo seria eterno e imutável a partir daí.
E a terceira hipótese é a de que a constante gravitacional pode ser menor do que zero. O resultado disso é que a matéria existente, já em expansão desde o big bang, escaparia da força da gravidade e não tendo energia para manter-se coesa iria tornando-se cada vez mais rarefeita até desaparecer por completo. E depois disso, fim, the end, acabou mesmo!
"Never more!", diria o corvo de Edgar A. Poe.
É claro que a terceira hipótese é que está correta, né? Tinha que ser!
sexta-feira, 29 de junho de 2007
segunda-feira, 25 de junho de 2007
A NEGAÇÃO DA MORTE
Há cerca de dois meses eu estava numa livraria em Juiz de Fora, cujo dono tornou-se meu amigo e é um livreiro à maneira antiga, daqueles que sabem tudo, parece que já leram todos os livros já escritos e encontra nas prateleiras da loja qualquer coisa que lá existir em questão de segundos. É apreciador de música clássica, é discreto, fala baixo parecendo que está pedindo desculpas. Da última vez em que estive lá, me presenteou com dois livros escritos pelo pai dele que contam passagens da época colonial nas Minas Gerais.
Nessa visita à Livraria Liberdade, numa passagem pela estante de filosofia, Marcos – esse é o nome do livreiro – tira da estante um livro, me mostra e diz que é um ótimo livro. Enfático, afirma que talvez seja um dos melhores livros que ele já lera. Corajoso em afirmar isso. Afinal, todo grande leitor de livros como ele e eu, tem grande dificuldade em dizer qual ou quais os melhores livros já lidos. Fico curioso. Não conheço o autor. Marcos percebe minha dúvida. Diz que eu posso levar o livro e que se eu não gostar ele aceita que eu o devolva. “Opa”, penso, “agora ele está se arriscando num salto mortal sem rede”. Decido que diante de uma recomendação dessas não tenho saída. Levo o livro. E Marcos tinha razão. O livro é A Negação da Morte, de Ernest Becker. O autor é um antropólogo americano, já morto. Ele faz um longo ensaio sobre a leitura da morte pela visão da psicanálise. O medo e fascínio do ser humano diante da finitude. O grande dilema humano: saber-se mortal e ter um apego desmesurado à vida. A crença íntima que cada um de nós tem de que no fundo, no fundo, somos imortais. Todos irão morrer um dia; eu, não. Assim pensamos nós, pobres humanos. Pobres humanos, condenados a sabermos que temos um fim; um dia tudo acaba inexoravelmente. Desde o começo dos tempos filósofos e loucos pensam sobre esse tema e desde sempre convivemos com isso, com essa idéia tão aterrorizante: somos finitos, somos mortais, a biologia é nossa sina. Temos uma alma, um espírito, uma psique, seja lá que nome tenha, que se acredita imortal, mas temos uma maldição biológica que nega essa imortalidade.
E o que fazemos? Fazemos tudo o que fazemos. Amamos, gozamos, deixamos uma prole espalhada pelo mundo. Sempre esperamos que nossos filhos nos sucedam e repitam tudo o que fizemos. Que amem, que gozem, que perpetuem a espécie. E o tempo todo, a espada do tempo pendendo sobre nossas cabeças.
Sabemos dessas coisas o tempo todo, mas é bom que alguém escreva bem sobre isso. E é disso que trata esse livro. O Marcos tinha razão. A Negação da Morte passou a ser para mim, também, um dos melhores livros. E nem o acabei ainda.
Nessa visita à Livraria Liberdade, numa passagem pela estante de filosofia, Marcos – esse é o nome do livreiro – tira da estante um livro, me mostra e diz que é um ótimo livro. Enfático, afirma que talvez seja um dos melhores livros que ele já lera. Corajoso em afirmar isso. Afinal, todo grande leitor de livros como ele e eu, tem grande dificuldade em dizer qual ou quais os melhores livros já lidos. Fico curioso. Não conheço o autor. Marcos percebe minha dúvida. Diz que eu posso levar o livro e que se eu não gostar ele aceita que eu o devolva. “Opa”, penso, “agora ele está se arriscando num salto mortal sem rede”. Decido que diante de uma recomendação dessas não tenho saída. Levo o livro. E Marcos tinha razão. O livro é A Negação da Morte, de Ernest Becker. O autor é um antropólogo americano, já morto. Ele faz um longo ensaio sobre a leitura da morte pela visão da psicanálise. O medo e fascínio do ser humano diante da finitude. O grande dilema humano: saber-se mortal e ter um apego desmesurado à vida. A crença íntima que cada um de nós tem de que no fundo, no fundo, somos imortais. Todos irão morrer um dia; eu, não. Assim pensamos nós, pobres humanos. Pobres humanos, condenados a sabermos que temos um fim; um dia tudo acaba inexoravelmente. Desde o começo dos tempos filósofos e loucos pensam sobre esse tema e desde sempre convivemos com isso, com essa idéia tão aterrorizante: somos finitos, somos mortais, a biologia é nossa sina. Temos uma alma, um espírito, uma psique, seja lá que nome tenha, que se acredita imortal, mas temos uma maldição biológica que nega essa imortalidade.
E o que fazemos? Fazemos tudo o que fazemos. Amamos, gozamos, deixamos uma prole espalhada pelo mundo. Sempre esperamos que nossos filhos nos sucedam e repitam tudo o que fizemos. Que amem, que gozem, que perpetuem a espécie. E o tempo todo, a espada do tempo pendendo sobre nossas cabeças.
Sabemos dessas coisas o tempo todo, mas é bom que alguém escreva bem sobre isso. E é disso que trata esse livro. O Marcos tinha razão. A Negação da Morte passou a ser para mim, também, um dos melhores livros. E nem o acabei ainda.
quarta-feira, 20 de junho de 2007
domingo, 10 de junho de 2007
quarta-feira, 6 de junho de 2007
ECOLOGIA MENTAL - a propósito do dia mundial do meio ambiente
Hoje procuramos evitar a todo custo a destruição do meio ambiente natural porque isso significa não somente que dessa forma a vida se tornaria cada vez mais árida e difícil mas porque no limite isso levaria à extinção da maioria ou até mesmo de todas as espécies vivas em longo prazo. Os seres vivos precisam da diversidade do meio ambiente para continuar existindo.
Consideremos que o próprio meio interno emocional do ser humano constitui um meio ambiente. É em nosso ambiente emocional que existimos já que nós, humanos, somos mais do que instintos e a emoção é que nos governa e nos situa diante de nosso semelhante e de nosso mundo. É a partir de nossas emoções que temos consciência de nós mesmos, são nossas emoções que acionam nossa memória para contarmos nossa história incessantemente. Nosso ambiente emocional é um meio ambiente com regras semelhantes ao meio ambiente natural, do qual dependemos para termos uma vida com qualidade e conforto.
Podemos detestar os pernilongos, ter nojo das baratas ou temer os animais peçonhentos, mas sabemos que essas e todas as outras espécies existentes fazem parte de uma infinita cadeia biológica bem estruturada e que mesmo que conseguíssemos eliminar algumas dessas espécies de nossa vida, certamente as conseqüências seriam desequilíbrios ambientais tão graves que é melhor tentarmos ir convivendo com eles mesmo que nos causem algum incômodo. No meio ambiente mental acontece algo semelhante ao que se passa no mundo natural.
Quando alguém busca incessantemente sufocar ou suprimir as emoções que considera desagradáveis ou que causam algum grau de sofrimento, como a raiva, a frustração ou a tristeza, pode estar também eliminando parte de uma rede de conexões importantes que garantem a continuidade da vida emocional saudável e que podem dar origem a outras formas de pensar e de sentir. Isso assegura a sensação que todos precisamos ter de continuidade em nossa cadeia de existência. Resumindo: através dos momentos que nos trazem sentimentos agradáveis de satisfação e de prazer aprendemos coisas e tentamos repetir essa experiência mas para que surja esse desejo de repetição do que gostamos é preciso que por algum tempo esses sentimentos desapareçam ou mesmo sejam temporariamente substituídos por sentimentos que não gostamos de ter. Desta forma, se estamos tristes porque perdemos alguém ou porque estamos atravessando um momento difícil qualquer, é natural que tenhamos nosso apetite diminuído, por exemplo, ou a libido fique reduzida. Não há nada a fazer nessas horas a não ser buscar nossos próprios recursos mentais, além de aceitar o consolo das pessoas que gostam de nós e que compartilham esses sentimentos. Assim se forma um pequeno elo dessa cadeia emocional humana. No entanto, nem sempre é isso que observamos. É cada vez maior o número de pessoas nos dias atuais que têm pouca tolerância com sofrimentos emocionais naturais como esses. Muitas pessoas confundem tristeza com depressão. Confundem uma mudança passageira no padrão alimentar (para mais ou para menos) como transtornos alimentares. Podem confundir uma leve insegurança com síndrome do pânico. Uma noite de sono agitado pode parecer para essas pessoas o verdadeiro fim do mundo e no dia seguinte correm em busca de um remédio para dormir. Tudo não passa de um exagero. É importante e necessário lembrar desses fatos porque a população que hoje se vê vítima dessas confusões, também acaba recorrendo ao uso de remédios para corrigir esses sentimentos naturais, causando em si mesmas um desequilíbrio em sua ecologia emocional. Não precisam simplesmente parar de se preocupar e podem até mesmo procurar um especialista para ouvir uma opinião profissional mas o que não devem é já começar achando que tudo é doença. É como se disséssemos que com esses pensamentos o meio ambiente dessas pessoas tornou-se artificial. Seria o mesmo que construir uma fábrica poluidora em plena selva amazônica e além disso, eliminasse todo o ecossistema local para a fábrica poder funcionar. Certamente um verdadeiro desastre.
Temos que a todo momento lembrar a muitas pessoas que uma vida de prazer perene é impossível. Tentamos evitar os sentimentos desagradáveis mas também precisamos de um pouquinho de sofrimento para estabelecer um equilíbrio emocional. Sem nenhum sofrimento em pouco tempo estaríamos desinteressados pela vida e pereceríamos rapidamente ou nos transformaríamos em autômatos sem alma e tudo perderia completamente o sentido. É a variedade e o colorido emocional que dão sentido à existência.Assim como é importante ensinar a educação ambiental às crianças pois elas é que farão as mudanças no nosso meio ambiente – já que os adultos com poder de decisão até o momento têm mostrado pouca sensibilidade para o tema – também temos que lembrar que ninguém precisa sofrer desnecessariamente mas também não se poderá jamais eliminar todo o sofrimento do ser humano. O resgate para isso, assim como na conservação ecologicamente responsável do meio ambiente, é a revalorização da solidariedade, dos ideais de fraternidade e da compreensão de si mesmo a partir do seu semelhante.
Consideremos que o próprio meio interno emocional do ser humano constitui um meio ambiente. É em nosso ambiente emocional que existimos já que nós, humanos, somos mais do que instintos e a emoção é que nos governa e nos situa diante de nosso semelhante e de nosso mundo. É a partir de nossas emoções que temos consciência de nós mesmos, são nossas emoções que acionam nossa memória para contarmos nossa história incessantemente. Nosso ambiente emocional é um meio ambiente com regras semelhantes ao meio ambiente natural, do qual dependemos para termos uma vida com qualidade e conforto.
Podemos detestar os pernilongos, ter nojo das baratas ou temer os animais peçonhentos, mas sabemos que essas e todas as outras espécies existentes fazem parte de uma infinita cadeia biológica bem estruturada e que mesmo que conseguíssemos eliminar algumas dessas espécies de nossa vida, certamente as conseqüências seriam desequilíbrios ambientais tão graves que é melhor tentarmos ir convivendo com eles mesmo que nos causem algum incômodo. No meio ambiente mental acontece algo semelhante ao que se passa no mundo natural.
Quando alguém busca incessantemente sufocar ou suprimir as emoções que considera desagradáveis ou que causam algum grau de sofrimento, como a raiva, a frustração ou a tristeza, pode estar também eliminando parte de uma rede de conexões importantes que garantem a continuidade da vida emocional saudável e que podem dar origem a outras formas de pensar e de sentir. Isso assegura a sensação que todos precisamos ter de continuidade em nossa cadeia de existência. Resumindo: através dos momentos que nos trazem sentimentos agradáveis de satisfação e de prazer aprendemos coisas e tentamos repetir essa experiência mas para que surja esse desejo de repetição do que gostamos é preciso que por algum tempo esses sentimentos desapareçam ou mesmo sejam temporariamente substituídos por sentimentos que não gostamos de ter. Desta forma, se estamos tristes porque perdemos alguém ou porque estamos atravessando um momento difícil qualquer, é natural que tenhamos nosso apetite diminuído, por exemplo, ou a libido fique reduzida. Não há nada a fazer nessas horas a não ser buscar nossos próprios recursos mentais, além de aceitar o consolo das pessoas que gostam de nós e que compartilham esses sentimentos. Assim se forma um pequeno elo dessa cadeia emocional humana. No entanto, nem sempre é isso que observamos. É cada vez maior o número de pessoas nos dias atuais que têm pouca tolerância com sofrimentos emocionais naturais como esses. Muitas pessoas confundem tristeza com depressão. Confundem uma mudança passageira no padrão alimentar (para mais ou para menos) como transtornos alimentares. Podem confundir uma leve insegurança com síndrome do pânico. Uma noite de sono agitado pode parecer para essas pessoas o verdadeiro fim do mundo e no dia seguinte correm em busca de um remédio para dormir. Tudo não passa de um exagero. É importante e necessário lembrar desses fatos porque a população que hoje se vê vítima dessas confusões, também acaba recorrendo ao uso de remédios para corrigir esses sentimentos naturais, causando em si mesmas um desequilíbrio em sua ecologia emocional. Não precisam simplesmente parar de se preocupar e podem até mesmo procurar um especialista para ouvir uma opinião profissional mas o que não devem é já começar achando que tudo é doença. É como se disséssemos que com esses pensamentos o meio ambiente dessas pessoas tornou-se artificial. Seria o mesmo que construir uma fábrica poluidora em plena selva amazônica e além disso, eliminasse todo o ecossistema local para a fábrica poder funcionar. Certamente um verdadeiro desastre.
Temos que a todo momento lembrar a muitas pessoas que uma vida de prazer perene é impossível. Tentamos evitar os sentimentos desagradáveis mas também precisamos de um pouquinho de sofrimento para estabelecer um equilíbrio emocional. Sem nenhum sofrimento em pouco tempo estaríamos desinteressados pela vida e pereceríamos rapidamente ou nos transformaríamos em autômatos sem alma e tudo perderia completamente o sentido. É a variedade e o colorido emocional que dão sentido à existência.Assim como é importante ensinar a educação ambiental às crianças pois elas é que farão as mudanças no nosso meio ambiente – já que os adultos com poder de decisão até o momento têm mostrado pouca sensibilidade para o tema – também temos que lembrar que ninguém precisa sofrer desnecessariamente mas também não se poderá jamais eliminar todo o sofrimento do ser humano. O resgate para isso, assim como na conservação ecologicamente responsável do meio ambiente, é a revalorização da solidariedade, dos ideais de fraternidade e da compreensão de si mesmo a partir do seu semelhante.
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