Foi publicada recentemente no Brasil, pela Companhia das Letras, a tradução do livro ENTÃO VOCÊ PENSA QUE É HUMANO?, do historiador inglês Felipe Fernández-Armesto. Trata-se de uma curiosa abordagem sobre o significado da condição humana sob o olhar da biologia, da antropologia, da filosofia e outras ciências dedicadas ao estudo do ser humano. A conclusão é que a distância que nos separa dos outros primatas não é tão grande quanto gostamos de imaginar. Na verdade, quando são aplicados parâmetros científicos rigorosos que busquem estabelecer diferenças significativas de condutas, descobrimos que nossos critérios servem para revelar muito mais semelhanças do que diferenças entre nós e outros primatas nos modos de agir e de nos relacionarmos com nosso grupo e com a natureza . É interessante pensarmos que até bem pouco tempo atrás, no período do iluminismo, por exemplo, muitos pensadores, entre eles Rousseau, imaginavam que certos macacos eram variações do humano e que eram de certa forma humanos, também. É um livro interessante, escrito com algum humor sem deixar de lado o rigor histórico e gostoso de ler.
sábado, 28 de abril de 2007
quarta-feira, 25 de abril de 2007
O próximo encontro do Café Psicanálise (reuniões quintas feiras das 19h30m às 21h30m no Opus Centro Cultural), dia 26 de abril, irá tratar do tema DESEJO. Uma das forças mais ativas no ser humano (a única força, talvez), conceito estabelecido por Freud, o DESEJO é algo que jamais pode ser satisfeito e jamais deixa de existir enquanto existe vida. Um conceito difícil de ser apreendido e desconhecido antes da existência da psicanálise. O homem é um animal desejante, antes de ser qualquer coisa. Organiza seu aparelho psíquico em torno de acordos que precisa fazer consigo mesmo para viver em sociedade. O grupo social humano estabelece desde o nascimento uma regra com o indivíduo que acaba chegar: "você não poderá ter tudo o que desejar, mas apenas algumas coisas. Provavelmente, por mais coisas que você obtenha ao longo da vida, sempre achará que é pouco, mas procure se contentar, porque é assim mesmo." E assim começa a vida humana. Afinal, a vida, como dizia Shakespeare, "é uma história contada por um idiota, cheia de som e de fúria e que não significa nada". Mas não sejamos tão pessimistas, vamos ao café do desejo discutir isso.
sexta-feira, 20 de abril de 2007
MENTE E CORPO
A interação entre mente e corpo é um tema que ainda vai ser discutido por muito tempo porque envolve conceitos que vêm de áreas bem diferentes como a medicina, a filosofia, a psicologia, a religião e até mesmo a forma como cada indivíduo de uma mesma área entende essa questão. Devemos lembrar que Renè Descartes, o pensador francês que estabeleceu o formato como hoje se pratica a ciência em geral, deu uma imensa contribuição para a maioria das atividades científicas mas no estudo de corpo/mente não podemos aplicar as mesmas regras. É graças ao cartesianismo que ainda hoje se pensa na mente separada do corpo como se fossem duas entidades distintas. Não é por acaso que alguns colegas médicos ainda dizem para os seus pacientes: "isto não é nada, é psicológico", quando se vêem diante de pacientes que apresentam sintomas físicos difíceis de serem explicados pelos métodos convencionais da medicina. Quer dizer, ainda entendem o psicológico (ou emocional) como um "nada".
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